Bastou alguns artistas começarem a se movimentar, fazendo denúncias e reclamações no Orkut e na imprensa local para o governo reagir. Anunciou projeto cultural que se propõe a levar cultura para os bairros, através de cursos nos CRAS. Uma fórmula, que a princípio é bacana. Porém, precisamos analisar mais friamente a conjuntura deste anúncio para começar a entender o jogo político.
Por que razão o anúncio sair logo após a secretaria ter sido bombardeada de críticas e denúncias de todos os setores artísticos da cidade, inclusive do próprio prefeito em algumas manifestações públicas? Dívidas com artistas e grupos, projetos engavetados, problemas com RPA. Isso tudo aliado à uma política de lidar com a cultura apenas como entretenimento.
Podemos imaginar o que pode acontecer a um projeto como esse na atual administração:
sistema de contratação, por tempo determinado ou CLT e não por concurso público;
contratação de estudantes e amadores;
clientelismo nas contratações e nas relações;
Isso sem contar que a cultura lá do bairro vai continuar escondida enquanto levam a de fora como alternativa para todas as mazelas do mundo. E depois do curso? Essa criança, adolescente, cidadão ou cidadã vai fazer o que com esse conhecimento adquirido? Jogar bolinha no sinal? Vai dançar ou atuar em qual companhia de dança ou teatro? Vai tocar em qual orquestra? Vai gravar quantos cd’s?
Cultura e entretenimento andam juntos, mas uma das coisas que precisam ser discutidas com a secretaria é a formação de um mercado consumidor, de uma mentalidade de cultura que não passe apenas pelo entretenimento e pelo clientelismo. É preciso discutir o protagonismo das pessoas e dos saberes na política cultural. A necessidade de apoiar e incentivar as manifestações culturais que ainda resistem e as que estão acabando, não só promovendo festa, mas com ações mais concretas e estruturais.
A preservação da identidade do povo de Volta Redonda com a preservação do patrimônio é outro fator que precisa ser discutido amplamente. Inclusive como instrumento de resistência ao cerco feito pela CSN na cidade.
É nesse sentido que nossa principal reivindicação deve ser convocar o Fórum de Cultura de Volta Redonda, com a participação ampla da população e seus representantes, para discutir a política que deve nortear as ações da Secretaria de Cultura de Volta Redonda.
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